Na última terça-feira, 08 de fevereiro, a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, vulgo Oscar, divulgou sua lista de indicados. Apesar de sempre aparecer como uma das favoritas a indicação de Atriz Coadjuventa, o nome de Caitríona Balfe não esteve presente em nenhuma categoria. Já Belfast, filme de Kenneth Branagh protagonizado pela atriz, apareceu em 7 categorias.

O diretor Kenneth Branagh agradeceu todo o elenco e equipe do filme.

Sabemos que este é um ano fenomenalmente competitivo. Simplesmente há alguns filmes maravilhosos por aí e, inevitavelmente, há atuações maravilhosas. O que sei com certeza é que eu não teria nenhuma indicação, com certeza, sem o incrível trabalho de Jamie Dornan, Caitriona Balfe e Jude Hill. Parece clichê, mas estou falando sério quando digo que essas indicações [do filme] pertencem absolutamente a eles.

O direto ainda continuou, elogiando a atuação de Caitríona Balfe como Ma.

O que sei com certeza – e apostaria tudo agora – é que ela voltará [ao Oscar] com certeza. Este é um belo trabalho que em muitos outros anos teria sido reconhecido, mas ela, nem eu, nem ninguém jamais teríamos reclamações sobre as pessoas incríveis que foram indicadas este ano. É uma honra estar na conversa. E você sabe que qualquer um que toma esses lugares ganhou o direito de fazê-lo.

Belfast recebeu as seguintes indicações:

  • Melhor Filme;
  • Melhor Direção: Kenneth Branagh;
  • Melhor Atriz Coadjuvante: Judi Dench;
  • Melhor Ator Coadjuvante: Ciarán Hinds;
  • Melhor Roteiro Original;
  • Melhor Som;
  • Canção Original: Down To Joy.

Diante da não indicação de Caitríona Balfe ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e toda a reclamação de fãs, a Entertaiment Weekly fez uma matéria que explica o possível motivo disso ter acontecido. Enquanto os personagens de Caitríona Balfe e Jamie Dornan impulsionam e história do filme, os personagens de Judi Dench e Ciarán Hinds então ao fundo, com aparições muito marcantes. A distinção de tempo de tela dos atores é visível ao assistir o filme, o que faz com que classifiquemos Caitríona Balfe e Jamie Dornan como atores principais do longa e Judi Dench e Ciarán Hinds como coadjuvantes. Apesar de Caitríona Balfe e Jamie Dornan terem feito campanha para papeis coadjuvantes, o sistema de votação do Oscar não liga para isso: quem está votando decide para qual categoria seus votos vão. Ou seja, Caitríona Balfe e Jamie Dornan podem ter recebido votos suficiente para uma indicação, mas eles provavelmente foram divididos entre as categorias Ator/Atriz Principal e Ator/Atriz Coadjuvante.

Com informações da Entertainment Weekly

Durante a divulgação de Belfast, Caitríona Balfe e Jamie Dornan foram entrevistados pela The Hollywood Reporter e contaram como suas experiências pessoais os ajudaram a interpretar um casal no longa de Kenneth Branagh. Veja a entrevista na integra, traduzida pelo Portal Caitríona Balfe, a seguir.

Para Caitriona BalfeJamie Dornan, trabalhar em Belfast, da Focus Features, era diferente de tudo o que eles fizeram antes. A atriz, que interpreta Ma no filme de Kenneth Branagh baseado em sua infância, se sentiu atraída pela história quando viu que o roteiro era focado em pessoas comuns em vez da política e ideologia da Irlanda do Norte, o que ela costuma ver em projetos que chegam até ela. Para Dornan, que interpreta o marido de Balfe, Pa, Belfast se passa em sua cidade natal; ele foi seduzido pela história verídica de uma família lutando com decisões paralisantes, dor e amor incondicional.

Além disso, eles trabalharam com um elenco que incluía Judi Dench, Ciarán Hinds e Jude Hill, o recém-chegado de 11 anos, quem Balfe e Dornan descrevem como uma alegria  de se trabalhar. A dupla revela ao THR quanta liberdade eles tiveram ao retratar os pais de Branagh na tela, explicam que dançar foi a parte mais desafiadora do filme e lembram quanto ensaio Dornan teve para sua interpretação de Everlasting Love – ​​uma de suas duas apresentações musicais do ano passado que tomou conta da internet.

Como você se envolveu com o projeto?

Caitríona Balfe: Acho que fui um dos últimos atores principais a chegar. Quando fui abordada pela primeira vez, me disseram todos os lindos nomes ​​que já estavam no projeto e isso foi incrivelmente intimidante. Me mandaram o roteiro e não é sempre que você lê algo e instantaneamente… Eu senti como se conhecesse a Ma. Senti que reconhecia minha própria mãe nela, mas também muitas outras mulheres que eu conhecia da Irlanda. E também o assunto. Houve tantos filmes feitos sobre a Irlanda do Norte que lidam com a política ou a ideologia e, claro, há um lugar para isso, e eles são muito importantes. Não havia nada que eu tivesse lido antes que focava em pessoas comuns e com tanta compaixão e empatia, portanto fiquei impressionada.

Jamie Dornan: Em qualquer circunstância, se Kenneth Branagh quisesse fazer um filme com você, com Judi Dench – que era o único outro ator que estava no projeto quando fui abordado – eu diria que sim, provavelmente sem nem ler o roteiro. Mas desta vez, não eram apenas aquelas pessoas, mas uma história sobre minha cidade natal. Além disso, na época da pandemia, quando havia um medo sincero de que eu nunca mais voltaria a trabalhar, eu certamente não sabia de onde viria o próximo emprego, então era uma perspectiva particularmente tentadora, dadas todas essas circunstâncias. E daí, completar o elenco com Ciarán e Caitríona foi simplesmente incrível. A resposta e algumas das noites que passamos juntos foram incomparáveis ​​com o que experimentei até agora na minha carreira.

Dado que é baseado na infância de Branagh, mas não em uma autobiografia, vocês tiveram liberdade para interpretar os pais dele ou ele deu algumas orientações?

Caitríona Balfe: Desde o início, uma das primeiras coisas que ele fez foi colocar Jamie, Judi, Ciarán e eu em uma sala. E ele simplesmente nos fez falar sobre nós ou nossas infâncias, nossos pais ou avós. Ficou muito claro, a partir disso, que ele queria que nos baseássemos em nossas próprias experiências. E ele obviamente estava apresentando cenários diferentes que tinham relevância para o filme, mas ele queria que nós olhássemos para isso pelas lentes de nossas próprias vidas. E isso foi um presente de liberdade, ser capaz de torná-lo nosso e não sentir que estávamos tentando alcançar uma certa nota que sentíamos que ele estava procurando. Ken é um diretor tão inteligente. E como ator também, ele é incrivelmente inteligente sobre como ele te leva a um lugar onde ele quer que você vá. Ele sempre nos guiava gentilmente aos lugares, em vez de “Bem, não, minha mãe é assim” ou “Minha mãe faz isso”. Isso nos deu muita liberdade e muito disso nos fez sentir como se ele tivesse confiança no que estávamos dando a ele.

Vocês dois interpretam um jovem casal que às vezes ficam bastante distante durante o filme, físicamente e emocionalmente. Como vocês retrataram isso nas cenas que compartilham e como balancearam esses aspectos do relacionamento?

Caitríona Balfe: Muito disso estava no roteiro. E foi realmente muito bem escrito. Parecia totalmente desenvolvido. Houve algumas coisas que não chegaram ao final do filme. Há uma cena em que eles estão enviando Buddy e [seu irmão] Will para a igreja. No roteiro original, quando Buddy sai de casa, ele olha para trás e os vê fechando as cortinas e você sabe que eles estão tendo uma pequena diversão de tarde de domingo. Isso foi ótimo, porque você sabia que não importa quais fossem as tensões e os estresses no casamento, nós temos algumas cenas que mostram que, por baixo de tudo, eles ainda têm essa conexão muito profunda e esse amor real e acho que isso foi realmente importante. Jamie e eu já dissemos isso antes: achamos isso muito orgânico. Parecia muito fácil. Jamie é um ator tão aberto e, quando nos conhecemos, estávamos muito à vontade um com o outro. Descobrimos que não importa quais fossem as cenas, estávamos sempre passo a passo e juntos.

Jamie Dornan: Não é tudo por acaso: Ken escolheu quem escolheu com base no que viu em nosso trabalho e em nossas personalidades. Nunca houve nenhum bloqueio em nenhum momento em sentir que aquela família era real. Todo mundo estava dando um retrato tão verdadeiro que, felizmente, estava coesamente alinhado com o que todo o resto estava fazendo. Eu não suporto trabalhar com pessoas quando elas fizeram muita preparação de atuação no espelho, têm um plano e vão fazer isso da maneira que praticaram muito, porque acham que está certo, mesmo que não esteja em sintonia com o que seu parceiro de cena está fazendo… Nós fizemos um monte de coisas em uma tomada, então sempre que algo mudava ou ia em uma direção ligeiramente diferente da anterior, a outra pessoa reagia de acordo.

Qual você diria que foi a cena mais desafiadora para vocês dois?

Caitríona Balfe: Acho que quando você lê um roteiro, como ator, a primeira coisa que você foca é no diálogo, isso lhe dá uma noção do que é. Então, na segunda vez, você pode começar a ler algumas das instruções de atuação. Mas acho que nós dois escondemos o fato de que havia esses números de dança. Primeiro você lê, “Eles dançam” e pensa: “Ah, eles vão dançar um pouco”. Acho que no nosso primeiro dia, o segundo assistente de diretor apareceu e disse:, “Então você vai fazer isso, isso, e então você vai ter um ensaio de dança com Jamie“. Eu fiquei tipo, “Nós vamos ter o quê?” Acho que não faz parte da nossa área de conhecimento. Mas ao dizer isso, Jamie Dornan reclamou durante todos os ensaios sobre o quão ruim ele era e o quão sofrível isso era e daí, no dia, ele estava absolutamente perfeito. Eu era a única com dois pés esquerdos. Esses foram provavelmente os mais desafiadores.

Jamie Dornan: Devemos dizer que era para haver mais música e dança no filme, mas apenas Everlasting Love apareceu lá. Portanto, havia mais, mas o mundo foi poupado.

Caitríona Balfe: Bem, acho que podemos dizer que todas as pessoas estão muito animadas com a cantoria de Jamie Dornan.

Qual música exigiu mais ensaio: Everlasting Love ou Edgar’s Prayer de Duas Tias Loucas de Férias?

Jamie Dornan: Deus salve a Irlanda! (Risos.) Everlasting Love era bastante complexa em seus movimentos e foi muito ensaiada. Eu senti que tinha que fazer tudo certo – o foco principal é o que está sendo dito naquela cena entre Ma e Pa e onde eles estão, o momento tumultuoso do relacionamento e em suas vidas com essas grandes decisões pairando sobre a cabeça deles e a dor, e querendo dizer: “Estamos em um momento terrível, mas Jesus, te amo e vai ficar tudo bem“. Isso tudo estava na vanguarda. Portanto, há muito o que se pensar.

Com Edgar’s Prayer, você fica tipo, “Como posso tornar isso o mais engraçado, absurdo e ridículo possível?” Não havia limitações para isso. Eu tive alguns ensaios de dança para Edgar’s Prayer… Mas então, chegamos à praia em Cancún e eu pensava: “Não posso nem fazer isso porque a areia é muito grossa“. Mas qualquer sugestão que eu teria – “E se eu fizesse isso?” – eles disseram: “Experimente!” Então é essa carta branca para ser o mais bobo possível, o que eu amo.

É tão bom. Toda vez que preciso de um pouco de estímulo, assisto sua sequência de dança com Kristen Wiig e Annie Mumolo do remix da música do Titanic.

Jamie Dornan: Eu tinha esquecido que usamos esse remix para essa música e alguém disse algo sobre o remix do Titanic e fiquei tipo, “O quê?” Eu tive que assistir de novo – ou meus filhos assistiram sem parar por um tempo. E daí eu disse: “Oh meu Deus, foi isso que dançamos“, e dançamos essa música naquela noite e eu tinha simplesmente esquecido.

Meus filhos sempre estão pedindo para ouvirmos Edgar’s Prayer [no carro], então eles tocaram bem alto na garagem do nosso amigo. E este carro que nos deram aqui, por algum motivo, mesmo se você desligar o rádio, ele ainda continua, e estamos tentando dizer olá e cumprimentar nossos amigos. E eu estava cantando muito alto. É uma coisa assustadora.

Caitríona Balfe: Em algum lugar, alguém diz: “Acabei de parar ao lado de Jamie Dornan, que está cantando sua própria música em um carro na Sunset?

Como foi gravar um filme tão íntimo durante a pandemia?

Caitríona Balfe: No começo, estávamos todos com tanto medo de deixar Judi doente. Portanto, havia protocolos realmente rígidos em vigor. Estávamos fazendo teste todos os dias. Acho que, a essa altura, Batman havia começado a filmar e estávamos filmando. Nós éramos as únicas duas produções reais no Reino Unido que estavam acontecendo. Muitas pessoas estavam olhando para nós para ver quais protocolos estávamos usando e como eles estavam funcionando. Muito crédito deve ser dado à nossa equipe, que estava em grupos diferentes. Eles tinham sistemas unidirecionais ao redor dos sets. Todos os nossos adereços, figurinos e todo mundo, todos tinham seu momento no set e daí eles tinham que sair e a próxima pessoa entraria. Também estávamos filmando no auge do verão, era uma onda de calor louca, e especialmente nosso departamento de cabelo e maquiagem, eles estavam com EPI completo, com óculos e escudos faciais. Isso nos fez ter que ir além para nos conectarmos uns com os outros.

Seu colega de elenco Jude Hill é incrível e é o primeiro papel dele no cinema. Como foi trabalhar com ele e como vocês estabeleceram esse relacionamento não apenas com um jovem ator, mas um novato nos filmes?

Caitríona Balfe: Ele é simplesmente incrível. O fato de que este é seu primeiro papel é bastante incrível. Ele veio com essa abertura absoluta; ele não tem ponto de referência para mais nada, então ele estava pronto para qualquer coisa. Ele é uma das crianças mais preparadas e presentes que você vai conhecer e ele, durante todo o tempo em que estávamos filmando – e ele estava praticamente gravando o dia todo, todos os dias – ele nunca reclamou. Nunca houve qualquer agitação ou mau humor. Ele é o garoto mais bem-educado, engraçado, adorável e aberto. Acho que uma das coisas bonitas foi ver o relacionamento dele com Ken. Ken foi tão paciente com ele e a maneira como ele foi capaz de orientá-lo e a atuação dele foi uma lição muito boa de se assistir. Eu vi isso acontecer com outros atores que são incríveis no que fazem. E eles se deixam guiar sem levar isso como uma crítica. Isso é algo para se lembrar: às vezes, quando você recebe uma observação, se sente que não é o que está fazendo, às vezes pode ajudá-lo… Foi lindo assistir a essa abertura e liberdade e é uma lição para um adulto tentar manter essa atitude de segue-o-fluxo infantil.

Entrevista editada pelo comprimento e clareza.

Caitríona Balfe foi entrevistada pela imprensa de seu país natal e falou sobre Belfast, as gravações do filme, uma possível indicação ao Oscar e ter se tornado mãe. Confira a tradução da entrevista a seguir!

O drama autobiográfico de Kenneth Branagh, Belfast, está entre os filmes imperdíveis de 2022. Michael Doherty conversa com uma de suas estrelas, Caitríona Balfe.
Embora mais famosa por seu papel premiado como a viajante no tempo Sasanach Claire Randall na série de TV Outlander, Caitríona Balfe também apareceu em vários filmes ao longo dos anos.

Seu currículo inclui Jogada de Mestre (2013), Ford v Ferrari (2019) e Jogo do Dinheiro (2016), que co-estrelou George Clooney e [foi dirigida por] Jodie Foster. Mas é o seu filme mais recente, Belfast, que resultou na ex-top model recebendo as melhores atenções de sua carreira no cinema, sem mencionar uma forte chance de uma indicação de Melhor Atriz Coadjuvante quando as indicações ao Oscar forem anunciadas em 8 de fevereiro.

No drama poderoso e comovente de Kenneth Branagh, a atriz, nascida em Dublin e criada em Monaghan, interpreta Ma, matriarca de uma família da classe trabalhadora de Belfast que se esforça para manter sua família unida no início dos Conflitos.

Conversamos com Caitríona sobre tudo, desde bebês até Belfast e sua aproximação a Judi Dench…

O escritor/diretor Kenneth Branagh descreveu Belfast como um conto tanto de partir o coração como comovente: foi isso que o atraiu para o projeto?
Sim, porque como atriz, você adora fazer as duas coisas. Essa é uma das coisas que me impressionou quando li o roteiro pela primeira vez. Você está rindo, mas também há momentos em que você está meio que se encolhendo com o reconhecimento de si mesmo, ou de sua mãe, e daí está chorando no final! Você sonha em receber um projeto tão bom quanto esse no roteiro e quando o diretor também o escreveu, você sabe que só pode melhorar. Então foi só um sonho.

Belfast é um título evocativo e uma cidade tão evocativos que significa muitas coisas diferentes para pessoas de diferentes gerações nesta ilha. O que isso significa pra você?
Minha irmã foi para a universidade em Queens, então era uma cidade que eu conheço e passei bastante tempo, quando era muito mais jovem. Mas sabe, eu cresci na fronteira, então estou procurando fazer um projeto que foi ambientado lá, mesmo que não tenhamos filmado na Irlanda.

Você costuma ler projetos que estão imersos na ideologia do que aconteceu no conflito, mas isso sempre foi algo que eu tentei ficar longe. Eu simplesmente sinto que olhar com romantismo para aquela época não é muito o que eu quero fazer. Mas acho que o que Ken fez aqui foi tirar toda essa ideologia e olhar de um ponto de vista muito humano, nos mostrar que o amor pela família e pela comunidade foram coisas que foram destruídas por esse conflito.

E isso para mim é a coisa mais dolorosa que aconteceu com nosso país e nossa nação: como ele foi destruído por essas, sabe, diferenças minúsculas entre nós. Isso arruinou tantas vidas e tantas outras foram perdidas, por tanto tempo.

E a cidade?
Belfast é uma cidade tão ótima e voltei recentemente, algumas vezes. Mesmo antes de saber que faria o filme, eu retornei logo antes do lockdown. Naquela altura, foi ótimo ir lá e ver como ela estava rejuvenescendo, graças a Game of Thrones entre outras coisas.

Era tipo, ah, a cidade está voltando à vida e isso é ótimo, porque me lembro de estar lá quando minha irmã estava na universidade e sempre foi um lugar tão tenso. Você sempre tinha que ter cuidado, sabe, ao soar muito “do sul”, ou se você estava nas ruas “certas” ou não. Mesmo que esta seja a história muito pessoal de Ken, eu senti uma conexão com esse roteiro. Você simplesmente não pode deixar de sentir isso se for irlandês.

Deve ser assustador retratar uma personagem real, Caitríona. Mas quão mais assustador é quando você está interpretando a mãe do homem olhando para você pelas lentes?
Ha ha ha! Ken, para o crédito dele, nunca fez parecer que tínhamos que fazer sua versão. Há uma razão pela qual ele é tão bom no que faz. Digo, ele é um homem tão inteligente e, acho que muito esperto, ele mexeu os pauzinhos  que ele queria que fizéssemos sem fazer parecer que era isso que ele estava fazendo!

No primeiro dia em que nos reunimos, ele colocou Judi (Dench), Ciarán (Hinds), Jamie (Dornan) e eu sentados em uma sala com ele, conversou conosco e nos fez perguntas sobre nossa infância e nossos próprios pais. Por um lado, parecia um pequeno exercício para nos conhecermos; mas acho que também foi um exercício para ele extrair as especificidades do que ele queria que trouxéssemos para a nossa atuação.

Como eu disse, ele nunca fez parecer que queria que fizéssemos sua versão: em vez disso, ele queria que trouxéssemos o máximo possível de nós mesmos. Ken nos deu liberdade para fazer isso e, ao mesmo tempo, sempre podíamos fazer perguntas a ele e, fácil assim, ele nos contaria histórias sobre sua infância e aprendíamos muito com isso.

No começo, para ser honesta, eu estava absolutamente nervosa! Mas uma vez que começamos, foi uma filmagem fácil e orgânica.

Você trabalhou com alguns elencos impressionantes, mas este parece um grupo particularmente dos sonhos para se trabalhar…
Oh meu Deus, sim! Ainda não consigo superar o fato de ter trabalhado com Judi Dench: isso nunca me deixará. Lembro-me de ver Ciarán em uma peça, provavelmente cerca de 15 anos atrás em Nova York. Eu o vi em tantos projetos diferentes e ele é um ator incrível e o homem mais querido.

Curiosamente, Jamie e eu nos conhecemos pela primeira vez há dois anos no Festival de Cinema de Toronto. Nós estávamos lá com projetos e tínhamos um amigo em comum que nos apresentou. Obviamente, ele é um ator incrível e um cara muito legal. Quando meu agente me disse que estava me enviando o roteiro, e eu sabia quem estava envolvido, eu fiquei tipo, eu nem preciso ler isso, vou fazer de qualquer jeito!

Você mencionou Toronto, Belfast teve uma recepção incrível no festival do ano passado durante sua estreia mundial. Quão gratificante foi ver um filme, que significou tanto para o elenco e a equipe, sendo recebido tão calorosamente pelo público?
Foi gratificante para todos que trabalharam nele. Aconteceu em um momento tão específico. Tínhamos acabado de sair do lockdown e, antes de voltarmos, tivemos essas sete semanas mágicas em que o sol estava sempre brilhando e todos nos amávamos e nos dávamos tão bem de verdade.

Quando você faz um projeto como esse, você sai com as memórias mais incríveis e felizes e meio que pensa, bem, mesmo que isso não dê em nada, foi um destaque da minha vida e da minha carreira. Porque é uma história tão específica da Irlanda e somos uma nação tão pequena, você nunca sabe se outras pessoas se identificação ou entenderão. E daí, quando o fazem, tipo, isso só faz você se sentir orgulhoso. E estou tão feliz por Ken, porque ele colocou muito de si mesmo nisso.

O que você achou da experiência de gravar em preto e branco pela primeira vez?
Eu sou uma verdadeira fã de filmes em preto e branco, então foi emocionante. No início, Ken nos enviou este curto vídeo (com uma pequena compilação de vídeos) com alguns filmes de Pawel Pawlikowski, além de Cinema Paradiso e alguns outros títulos, para nos dar uma noção do sentimento que ele estava procurando.

A pior coisa que você pode fazer é começar um filme quando não tem certeza do tom, mas sabíamos desde o início qual tom Ken estava procurando. Foi emocionante porque foi muito diferente de tudo que eu já fiz antes. Haris [Zambarloukos] é o diretor de fotografia mais incrível. Toda vez que eu via um pouco da filmagem, estava lindo.

Foi complicado ter que filmar sob os protocolos da Covid?
Por causa das restrições da Covid, tínhamos duas locações e estávamos realmente redirecionando todos os quarteirões, todos os ângulos, todas as ruas. Mas não há nada mais empolgante criativamente do que ter que superar barreiras ou limites. Todos os dias, parecia que eles estavam criando maneiras novas e inventivas de fazer as coisas darem certo. Como atriz, foi lindo ver Ken e a equipe super empolgados com o que estavam fazendo.

Ma tem um visual muito marcante: estiloso, mas muito de acordo com o período dos anos 1960. Foi um visual divertido de se trabalhar?
Sim, e quando se trata dos meus figurinos, conversamos muito sobre texturas. Por exemplo, se Ma está vestindo uma gola rolê, ela é um pouco canelada ou algo assim? Isso tudo foi muito interessante. Quando se trata de cabelo e maquiagem, Wakana [Yoshihara] é simplesmente incrível. Ela fez todo mundo estar incrível.

Acho que a maior decepção dela foi que a cor da minha peruca era tão espetacular, e ela ficou tipo, “Ninguém vai ver!” Mas, novamente, quando você está fotografando em preto e branco, todos devem ajustar o que estão fazendo para fornecer textura em vez de cor.

Em termos de futuro, Caitríona, obviamente há a próxima temporada de Outlander. Mas você também assumiu, recentemente, o papel de uma mãe da vida real, quando você e seu marido (Anthony) deram as boas-vindas ao seu bebê em outubro – parabéns. Adicione o lançamento global de Belfast e o subsequente burburinho do Oscar e estamos falando de épocas cheias!
Com certeza! Ser uma nova mãe, estou percebendo que minha vida não é mais minha! Mas sabe, acho que isso é algo que, neste momento da minha vida, estou muito pronta. Também me sinto muito privilegiada por trabalhar em uma época em que você faz tanto cinema quanto TV e não há esnobismo em nenhum dos dois. A TV tem sido muito boa para mim e tenho sorte que, embora não tenha feito muitos filmes, consegui fazer alguns projetos especiais.

Não acho que você deva viver para trabalhar; você deve trabalhar para viver. E para colocar algo em uma performance, você deve ter uma vida e tem que experimentar o que está acontecendo, e nunca gosto de trabalhar um atrás do outro mesmo. Eu sempre gosto de dar um tempo, tirar um personagem de você e encontrar outra coisa para colocar em um novo, então vamos ver.

A beleza de fazer um filme como Belfast é que ele abre mais portas, então por trás de uma delas eu espero que haja outro bom projeto. Eu também vou voltar para Outlander ano que vem. Então acho que, agora, a vida está parecendo muito boa!

 

A imprensa irlandesa conversou com os pais de Caitríona Balfe sobre o sucesso da atriz e a possível indicação ao Oscar; os indicados serão revelados amanhã, 08 de fevereiro.

É um longo caminho desde as colinas do município de Monaghan até as de Hollywood, mas Caitríona Balfe fez essa jornada e agora está cotada para receber uma indicação ao Oscar por seu papel de Ma em Belfast.

As indicações serão anunciadas amanhã.

A ex-modelo e orgulhosa mulher de Monaghan teve alguns meses turbulentos com o sucesso do filme dirigido por Kenneth Branagh, Belfast, que é baseado nos Confrontos.

Na semana passada, a atriz de 42 anos recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Atriz Coadjuvante no filme.

Estamos tão orgulhosos dela e ela trabalhou tão duro. Ela começou em Dublin, foi para Paris, depois Londres e depois para Nova York“, explicou sua mãe Anne.

Quando criança, ela nunca falou sobre atuar. Mas ela sempre imitava as pessoas. Ela costumava fazer uma ótima imitação de Margaret Thatcher“, disse seu pai Jim.

Ela também fazia uma boa imitação da deputada europeia Mairead McGuinness“, disse Anne.

Caitríona gostava da escola e, como muitos adolescentes de sua idade, fazia a viagem anual de verão ao Gaeltacht, onde ela fazia muitos novos amigos.

Jim e Anne Balfe em sua casa em Tydavnet, município de Monaghan.

Jim e Anne Balfe em sua casa em Tydavnet, município de Monaghan.

Ela fazia muito canto, teatro e dança lá. Encontrei um caderno há alguns anos, do qual não deveria ter me livrado e um jovem disse, ‘você será uma grande atriz ou modelo no futuro’, e me livrei dele quando estava jogando coisas velhas fora“, disse Anne.

Caitríona foi para a escola secundária no Beech Hill College em Monaghan. Ela estava envolvida em corridas de cross country.

Seus pais disseram que, embora ela fosse boa na escola, ela era uma “pestinha ao mesmo tempo” e os mantinha alertas.

Estamos muito orgulhosos dela e desejamos seu sucesso contínuo. Eu vi o filme Belfast e espero que algum dia ela venha nos visitar aqui“, disse Tony McHugh, diretor assistente do Beech Hill College.

Anne Costello foi professora de arte de Caitríona. Ela se lembra de uma adolescente entusiasmada e borbulhante.

Ela sempre foi muito confiante e talentosa. Ela tinha tanto potencial, portanto não estou surpreso que ela tenha se saído tão bem. Estamos muito satisfeitos em ver isso“, disse Costello.

Estamos muito orgulhosos dela. É ótimo que nossos alunos vejam, isso realmente os motivará“, disse Mary Gill, outra ex-professora de Caitríona.

Caitríona (no centro, ao fundo) no Beech Hill College, Monaghan.

Caitríona teve enorme sucesso com a série Outlander, na qual ela interpreta Claire Fraser, um drama de TV histórico que é muito popular nos EUA e na Austrália.

Desde que ela começou a atuar, ela trabalhou duro. Ela faz muita preparação. No primeiro ano em que ela estava fazendo Outlander, ela estava morando na Escócia, ela não conhecia ninguém, exceto o elenco e a equipe. Trabalhar, comer e se preparara para o dia seguinte, foi isso nos primeiros 12 meses. Então, ela trabalhou duro e valeu a pena“, explicou a mãe.

O sucesso do filme Belfast, que se passa durante os Conflitos, deu o que falar. Dirigido por Kenneth Branagh, ele também é estrelado por Jamie Dornan, Judie Dench, Ciarán Hinds e Jude Hill, de 12 anos.

Ela não se deixa levar [pelo sucesso]. Ela tem seu bebê e seu marido, Tony, e eles são o principal“, disse seu pai.

O filme, que está nos cinemas irlandeses agora, é visto pelos olhos de uma criança e conta a história de um momento difícil da história irlandesa. Há muito hype sobre isso, com muita conversa sobre indicações ao Oscar.

Nós estávamos conversando com ela na semana passada e ela está muito ocupada. Ela tinha dez jornalistas diferentes de vários países fazendo entrevistas com ela um dia. Ela estava muito cansada disso“, disse seu pai.

Embora agora ela esteja sentada em uma piscina e faz 23 graus, então não é tão ruim“, ele ri.

Quando ela estava em casa em novembro, conversamos sobre isso. Se der certo, e se não der, que seja“, disse Jim.

Mesmo a possibilidade disso é uma grande coisa“, disse Anne.

Aconteça o que acontecer, ela ainda será a Caitríona, e ficaremos felizes em vê-la na próxima vez que ela vier para casa“, acrescentou.

Caitríona Balfe conversou brevemente com o The Wrap sobre as filmagens e divulgação de Belfast, sua indicação ao SAG Awards e a sexta temporada de Outlander. Confira!

A estrela de Belfast está curtindo o caminho doida do filme pela temporada de premiação

Fazer o filme de Kenneth Branagh foi como ser “solto neste mundo da imaginação de Ken“, disse a atriz. Que a diversão continue é um deleite adicional.

Os aplausos para Belfast parecem ser intermináveis. Eles começaram em setembro, no festival de cinema de Toronto, onde o filme sobre a infância de Kenneth Branagh, que se passa em 1969, ganhou a Escolha da Auudiência (People’s Choice Award). E eles continuaram desde então, na forma de indicações de dezenas de grupos e guildas de críticos proeminentes. No início deste mês, a SAG indicou o elenco de Belfast para melhor grupo, além de destacar Caitriona Balfe por sua atuação apaixonada como Ma, uma mãe prática de dois meninos pega no fogo cruzado da violência na Irlanda do Norte.

O constante reconhecimento que Balfe vem desfrutando forneceu um segundo ato inesperado para sua experiência em Belfast (tudo isso enquanto o burburinho do Oscar aumentava). “Tem sido um caminho tão doido“, disse a atriz ao TheWrap. “Quando começamos essa jornada há um ano, estávamos filmando durante a pandemia. Nunca imaginávamos realmente o que aconteceria com este filme. Acho que estávamos todos tão focados no fato de que estávamos trabalhando e em um projeto tão incrível. Essa era a beleza do momento. O fato de que ele continuou e está tendo todos esses elogios incríveis, é realmente ótimo.

Como Ma, Balfe luta para manter sua família unida enquanto os Conflito engolem seu outrora pacífico bairro de Belfast. Ela cuida de seu jovem filho cinéfilo Buddy (Jude Hill) e seu irmão mais velho Will (Lewis McAskie), muitas vezes com a ajuda de seus sogros encantadores (Ciarán Hinds como Pop e Judi Dench como Granny) enquanto seu marido (Jamie Dornan) viaja para a Inglaterra para trabalhar. O filme é baseado no início da vida de Branagh na Irlanda do Norte, antes de ele e sua família se mudarem para a Inglaterra, quando ele tinha 9 anos, para escapar da guerra que estava a caminho. E isso, é claro, apresentou a Balfe e seus colegas atores uma responsabilidade significativa.

É meio que uma coisa louca ser convidada a interpretar uma versão da mãe ou do pai de um diretor, mas a beleza disso foi que, desde o primeiro dia, Ken colocou essa confiança em nós e nos fez sentir que ele queria que trouxéssemos o máximo de nós mesmos nisso e chegássemos ao que ele já havia colocado no roteiro“, disse ela. “Isso tirou toda a pressão e nos permitiu ser livres, porque acho que a coisa mais importante que um diretor pode dar a você é a sua confiança e dar a você a confiança de que você está fazendo a coisa certa. E que você é a pessoa certa para o papel.

Embora Balfe tenha visto quantidade suficiente de cenas de ação e batalha ao longo de seis temporadas de Outlander, da Starz, as cenas de tumulto em Belfast, onde os vigilantes Protestantes invadem o quarteirão de Buddy, foram suas preferidas de filmar. Coquetéis molotov são lançados, balas são disparadas, barricadas são quebradas, enquanto espectadores inocentes como Ma e sua família correm para se proteger. “Tipo, a coisa toda parecia uma espécie de pequena excursão mágica que pudemos fazer. Ficamos em lockdown por cinco meses e depois fomos liberados para esse mundo da imaginação de Ken“, disse ela. “Mas os dias de tumulto, é a energia. Quando você reúne um grande grupo de pessoas assim e vê como o pequeno Jude estava animado com tudo o que estava acontecendo. Ele estava absolutamente agitado naqueles dias. Havia uma energia em torno do set constantemente, mas em dias como aquele era realmente especial.

As filmagens durante a pandemia imediatamente criou um sentimento de camaradagem entre Balfe e seus colegas de elenco, apesar das rígidas restrições de segurança do COVID-19. (Ou, na opinião de Dench, por causa dessas restrições: “Talvez tenha sido o rigor disso que nos uniu como família muito rapidamente“, ela disse recentemente ao TheWrap.) “É engraçado“, disse Balfe. “Jamie e eu falamos sobre isso muitas vezes. Quando estávamos filmando, nunca tivemos jantares de elenco ou algo assim, o que você normalmente teria. Mas por causa disso, todos nós tivemos que fazer um esforço especial para nos conhecermos e nos tornamos muito próximos enquanto estávamos filmando.

Agora, é claro, com a [variante] Omicron em alta e ameaçando transformar mais uma temporada de premiações em uma série de eventos virtuais, Balfe não teve tanto contato com sua família de Belfast quanto gostaria. “Nós, na verdade, só conseguimos jantar uma vez juntos, durante essa turnê de imprensa maluca que estamos fazendo“, disse ela. “E todos nós pensávamos: ‘Quando chegarmos a Los Angeles, teremos um dia em que todos poderemos sair e relaxar.’ E, infelizmente, parece que não vai acontecer, na verdade. Mas este é um momento difícil para as pessoas e o fato de termos um filme que podemos promover e que gostamos tanto, ainda é um momento muito especial.

Balfe recebeu a indicação para Melhor Atriz Coadjuvante em Filme, pelo SAG Awards. “Isso é realmente emocionante“, disse Balfe “Estou tão animada por todos nós. O fato de termos sido indicados como um conjunto é tão bom. Acho que todos nos sentimos muito em dívida com Ken por nos levar nessa viagem maluca. E uma indicação como essa é como um pequeno agradecimento a ele, eu acho, de certa forma.

Enquanto Balfe navega pela temporada de premiações, ela também responde a perguntas inclusive do TheWrap, sobre o retorno iminente de Outlander. A série, baseada nos livros de Diana Gabaldon, retorna com a 6ª temporada em 22 de março e Balfe chamou os próximos episódios de “bastante tensos“.

Temos uma nova família que vem para a Cordilheira chamada de Christies e eles, é uma lembrança do passado de Jamie não totalmente bem-vinda“, disse Balfe, que interpreta Claire Fraser ao lado de Jamie Fraser, interpretado por Sam Heughan. “Mas eles definitivamente desestabilizam muitas coisas na Cordilheira. E para Claire, particularmente, ela está passando por sua própria jornada pessoal muito difícil, tentando se recuperar dos eventos do final da temporada passada. E eu sou muito grata que os escritores realmente permitiram que ela tivesse tempo para processar e passar por isso. E nós a vemos talvez desestabilizada de uma maneira que não vimos antes, também. Mas também a vemos encontrar uma nova maneira de se recuperar com Jamie como seu apoio, como é. Há algumas coisas lindas nisso.

A nova temporada, que se passa às vésperas da Revolução Americana, continuará refletindo os momentos desafiadores, quando as colônias se posicionaram contra o domínio britânico. Embora, na temporada passada, Jamie teve que parecer leal aos Casacas Vermelhas em público, enquanto trabalhava para os revolucionários nos bastidores.

Além disso, o cenário político está sempre mudando e é muito difícil para Jamie, em especial, saber a quem ser leal, porque eles sabem, claro, o resultado [da Revolução], mas é um caminho tão traiçoeiro… Então ele tem que continuar a jogar nos dois times de sua lealdade para tentar manter a segurança. Portanto é uma temporada muito emocionante, mesmo que seja truncada, mas acho que os fãs ficarão felizes.

Com o lançamento de Belfast nos cinemas mundiais e a conversa sobre o filme nos festivais e aprovação da crítica, o reconhecimento de Caitríona Balfe vem sendo cada vez maior, lhe rendendo diversas homenagens e indicações em premiações.

Confira a seguir as indicações que a atriz recebeu por seu papel de Ma no filme de Kenneth Branagh, Belfast, que estreia no Brasil em 10 de março.

2021

Screen Actors Guild Awards, Estados Unidos

2022
Indicados
SAG Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast
🏆 Ganhador
SAG Award
Melhor Elenco em Filme
Belfast

Hollywood Critics Association, Estados Unidos

2022
Indicada
HCA Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast
🏆 Ganhador
HAC Award
Melhor Elenco em Filme
Belfast

BAFTA Awards, Reino Unido

2022
Indicada – Resultado em 13 de março
BAFTA Film Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Broadcast Film Critics Association Awards, Estados Unidos

2021
Indicada – Resultado em 13 de março
Critics Choice Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Satellite Awards, Estados Unidos

2022
Indicada – Resultado em 18 de março
Satellite Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Columbus Film Critics Association, Estados Unidos

2022
Indicada
COFCA Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

AACTA International Awards, Austrália

2022
Indicada
AACTA International Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Globo de Ouro, Estados Unidos

2022
Indicada
Globo de Ouro
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Hawaii Film Critics Society, Estados Unidos

2022
Indicada
HFCS Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

San Diego Film Critics Society Awards, Estados Unidos

2022
🏆 Ganhadora
SDFCS Award
Melhor Atriz Coadjuvante (empatada com Penélope Cruz por Mães Paralelas)
Belfast 

Santa Barbara International Film Festival, Estados Unidos

2022
🏆 Ganhadora
Virtuoso Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Iowa Film Critics Awards, Estados Unidos

2022
🏆 Ganhadora
IFC Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Music City Film Critics’ Association Awards, Estados Unidos

2022
Indicada
MCFCA Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

North Dakota Film Society, Estados Unidos

2022
Indicada
NDFS Award
Melhor Atriz Coadjuvante
Belfast

Palm Springs International Film Festival, Estados Unidos

2022
🏆 Ganhadora
Chairman’s Vanguard Award
Compartilhado com Kenneth Branagh, Jamie Dornan, Ciarán Hinds, Jude Hill

2021

British Independent Film Awards (BIFA), Reino Unido

2021
Indicada
British Independent Film Award
Melhor Atriz
Belfast

Chicago Film Critics Association Awards, Estados Unidos

2021
Indicada
CFCA Award
Melhor Atriz
Belfast

Dallas-Fort Worth Film Critics Association Awards, Estados Unidos

2021
Indicada
DFWFCA Award
Melhor Atriz
Belfast

Indiana Film Journalists Association, Estados Unidos

2021
Indicada
IFJA Award
Melhor Atriz
Belfast

Las Vegas Film Critics Society Awards, Estados Unidos

2021
Indicada
Sierra Award
Melhor Atriz
Belfast

Online Association of Female Film Critics

2021
Indicada
OAFFC Award
Melhor Atriz
Belfast

Phoenix Critics Circle, Estados Unidos

2021
Indicada
PCC Award
Melhor Atriz
Belfast

Sunset Film Circle Awards, Estados Unidos

2021
🏆 Ganhadora
SFC Award
Melhor Atriz
Belfast

Washington DC Area Film Critics Association Awards, Estados Unidos

2021
Indicada
WAFCA Award
Melhor Atriz
Belfast

Sobre sua indicação ao BAFTA, Caitríona Balfe disse, “Muito obrigada, BAFTA, por esta indicação. Este filme, esta história, é uma linda exploração de amor, gentileza e necessidade de tolerância em um momento que é preciso, mais do que nunca. Sou muito grata ao Ken por confiar em mim para interpretar a Mamãe. E ser indicada ao lado desse incrível grupo de atrizes é realmente uma honra.

Belfast soma 217 indicações e 37 vitórias, entre seu elenco, equipe técnica e filme. As vitórias mais notáveis para o filme foram no AFI Awards, no Globo de Ouro para Melhor Roteiro e no  Toronto International Film Festival com o Prêmio da Audiência de Melhor Filme.

Em dezembro, Caitríona Balfe conversou com a Elle sobre Belfast e gravar a sexta temporada de Outlander durante a pandemia da COVID-19 e grávida de seu primeiro filho. Confira a tradução da entrevista a seguir.

A atriz fala sobre estrelar o filme de Kenneth Branagh, um dos favoritos ao Oscar, e filmar a 6ª temporada de Outlander durante a gravidez.
por Emma Dibdin

No drama evocativo e semiautobiográfico de Kenneth Branagh, Belfast, Caitriona Balfe interpreta uma mulher resiliente, mas cada vez mais assustada, enfrentando uma escolha impossível. Chamada no roteiro apenas como Ma, a personagem de Balfe é a matriarca de uma família protestante da classe trabalhadora na Irlanda do Norte dos anos 1960, cuja existência cotidiana se torna cada vez mais perigosa em meio aos Conflitos. Com seu marido (Jamie Dornan) muitas vezes no exterior para trabalhar, Ma geralmente é deixada sozinha para cuidar de seus dois filhos pequenos, Will (Lewis McAskie) e Buddy (Jude Hill), e à medida que o ambiente se torna cada vez mais instável, ela é forçada a considerar desarraigar a família completamente e fugir para a Inglaterra.

O roteiro era tão comovente e realmente evocativo. Mesmo sendo muito a história do Ken, eu estava chorando no final como alguém que deixou a Irlanda, como alguém que cresceu em uma família muito grande, e agora estou longe deles“, disse Balfe à ELLE.com no Zoom mês passado. “Houve também a tragédia do que eu sei que aconteceu na Irlanda do Norte. Acho que há algo em ver o mundo através dos olhos de uma criança, e [Branagh] realmente capturou perfeitamente como é ver o mundo nessa idade“, acrescentou ela, referindo-se ao protagonista de nove anos, Buddy. “Há uma infinidade de coisas que podem acontecer conosco quando perdemos a inocência e acho que isso é algo com o qual todos podem se identificar de uma maneira ou de outra“.

A seguir, Balfe, que acabou de ganhar uma indicação ao Globo de Ouro por sua atuação, examina como ela e Dornan se uniram no set de Belfast, sua experiência de filmar a 6ª temporada de Outlander enquanto estava grávida de seu primeiro filho e a principal diferença entre Ma e Claire.

O casamento entre sua personagem e a de Jamie Dornan em Belfast é visto, principalmente, através de vislumbres ou trechos de conversas que o filho deles ouve. Como foi a experiência de criar essa dinâmica?

Jamie e eu não nos conhecíamos direito antes disso. Havíamos nos encontrado uma vez, acho, através de um amigo em comum. Então, em um dos primeiros dias, Ken nos fez sentar em uma sala, Judi [Dench], Ciarán [Hinds], Jamie e eu. Nós compartilhamos muitas informações sobre nossas infâncias, nossos pais, nossos avós… Ken é brilhante, ele tem essa maneira de Mágico de Oz de fazer com que as pessoas estejam no lugar certo para conseguir o que ele precisa delas. Então, a partir daquele primeiro dia, eu sabia mais coisas sobre Jamie do que provavelmente alguém que o conhece há quatro ou cinco ou 10 anos poderia saber, coisas pessoais e vulneráveis, e ele o mesmo comigo. Então começamos de um lugar muito aberto um com o outro.

Então, a próxima coisa que tivemos que fazer foi dançar. Então, tivemos um ensaio de dança e isso também é algo que é muito, não sei, suponho que te expõe e te deixa muito vulnerável. Então, muito rapidamente, tivemos esse vínculo muito legal um com o outro e todo o resto foi construído organicamente a partir disso. Acho que nós dois abordamos nosso trabalho de uma maneira muito semelhante. Nós dois somos muito meticulosos com a nossa preparação, mas muito tranquilos com a forma como somos no set. Acho que nós dois tentamos ser descomplicados com a forma como trabalhamos e simplesmente aparecemos prontos para atuar e não temos que fazer disso grande coisa, se isso faz sentido. Isso foi realmente libertador.

Houve alguma cena em particular que você sentiu que te ajudou a entender sua personagem?

Eu não acho que entrou no filme, mas há um momento em que Buddy está perguntando por que ele tem que ir à igreja, e ele diz: “Bem, por que você não vai?” Ma diz: “Eu e seu pai temos alguns negócios para discutir, e Deus entende”. No roteiro, há uma cena em que Buddy e Will estão indo embora, na qual você vê a cortina do andar de cima se fechar e obviamente mamãe e papai estão se divertindo um pouco! Saber que não importava quais fossem as tensões, eles ainda tinham uma vida sexual vibrante e ainda estavam muito apaixonados um pelo outro. Isso foi uma coisa muito útil de se saber.

Portanto você sabia onde estava colocando as coisas, que mesmo que eles estivessem lutando e brigando, isso não era a soma de todo o relacionamento deles. Que havia luz e escuridão, havia altos e baixos e que isso estava sempre muito presente junto, caminhando um ao lado do outro. Mas eu amo cenas em que você também tem explosões e como uma irlandesa impetuosa, eu entendo! Acho que não jogo pratos, mas posso ladrar. Ter cenas em que você pode se soltar e jogar alguns pratos em alguém é muito divertido.

Falando em mulheres impetuosas, eu estava pensando em Ma em relação a Claire Fraser de Outlander. Acabou de me ocorrer que você está interpretando essas mulheres que precisam ser muito centradas e tentam manter suas unidades familiares, em meio a enormes traumas e revoltas.

De certa forma, sim, elas compartilham isso em comum, mas o que realmente as torna diferentes é que eu acho que Claire prospera no desconhecido e está abrindo caminho para isso, seguindo em frente. Enquanto Ma, acho que, no fundo, há uma garotinha tão assustada que não consegue imaginar um mundo além desse pequeno espaço que ela conhece tão bem. Ela é como um peixe grande em um pequeno lago, mas ela não consegue conceituar a vida além disso e acho que essa é a luta dela. Para ela ser capaz de chegar ao ponto em que ela pode tomar a decisão de sair foi muito, muito difícil, porque não acho que ela tinha confiança para desviar ou sair deste mundo que ela conhece tão bem. O que é muito diferente, acho, da Claire. Claire tem muita confiança inata em suas capacidades. Enquanto que acho que Ma, por causa de sua criação e por causa de seu entorno, era muito limitada nesse sentido e isso foi muito interessante de interpretar.

Este é um bom argumento. Claire realmente gosta de se jogar fora do mundo que ela conhece.

Sim, Ma está se apegando muito ao único mundo que ela já conheceu e acho que isso é muito revelador. Podemos ver os pais de Pa e temos uma noção do passado estável de onde ele veio. Enquanto a Ma, você nunca ouve falar dos pais dela. Você nunca os vê, então ela nunca teve essa base e essa estabilidade em casa desde tenra idade. Então, para ela, ela está se agarrando ao único lar e vida estável que ela realmente conheceu e é por isso que é tão difícil para ela, acho, tomar essa decisão.

A 5ª temporada de Outlander terminou de uma forma muito traumática para Claire e parece que as coisas não vão necessariamente ficar mais fáceis. O que podemos esperar da 6ª temporada?

Os eventos do final da 5ª temporada realmente desestabilizaram Claire de uma maneira que nunca vimos antes. Eu acho que Claire sempre foi capaz de compartimentar as coisas e seguir em frente, com aquela atitude muito próspera dos anos 1940. Ela guarda as coisas em uma caixinha, ela guarda isso e segue com o resto de sua vida. E vemos que ela é incapaz de usar esse mecanismo de enfrentamento, de superar esse incidente em particular. Então, é realmente legal finalmente desmontá-la de uma maneira e encontrar suas principais vulnerabilidades. Acho que esta é a única maneira que ela pode se curar adequadamente, porque ela tem que encontrar uma nova maneira de lidar. Ela tem que encontrar um novo caminho. Há coisas realmente ótimas para a Claire nesta temporada. Temos alguns grandes diretores de volta e acho que estamos brincando de novo com o estilo da série, portanto isso é realmente emocionante.

E acredito que você também estava grávida durante as filmagens, certo?

Grávida durante toda a temporada, isso! Eu provavelmente poderia ter cronometrado as coisas um pouco melhor. [Risos] Mas essas coisas acontecem quando acontecem. Eu estava grávida, havia COVID, era inverno, filmando todos os dias durante 14 horas por dia… não foram os seis meses mais fáceis, mas foi bom. Eu tenho que dizer, nossa equipe de filmagem, em particular, um bando de homens escoceses grandes, foram o grupo mais doce e realmente cuidaram de mim. Todos eles se tornaram pais, acho, desde que começamos a filmar na 1ª temporada; eu nunca tive tantos conselhos sobre criação de filhos, sobre gravidez ou sobre coisas para bebês como eu tive de todos eles e foi simplesmente brilhante. Eles são lendas, todos eles, então um grande obrigada a eles.

Então 2021 foi um grande ano para você e você está terminando com todo esse barulho do Oscar para Belfast!

Sim, todas essas coisas são um pouco, tipo, aargh! Mas é emocionante. É emocionante para Ken porque este é um filme muito pessoal para ele. Ele colocou muito de si mesmo nisso e criou esse bando de guerreiros alegres ao seu redor, acho que todos nós sentimos uma dívida de gratidão por termos feito parte desta jornada com ele. Então, acho que todos nos sentimos muito felizes por ele que está recebendo uma resposta tão boa.

Esta entrevista foi editada e condensada para maior clareza.

Caitríona Balfe e seu colega de elenco Jamie Dornan estão no recheio da Vogue inglesa de janeiro. Leia a seguir a tradução da matéria e veja o ensaio fotográfico dos atores em nossa galeria.

Jamie Dornan e Caitríona Balfe refletem sobre revisitar Os Conflitos em Belfast

A atuação deles no drama de Kenneth Branagh da era dos Conflitos fez com que a dupla seja cotada para a glória das premiações. Aqui, as estrelas contam para Olivia Marks sobre crescer na Irlanda e o real significado do filme. Fotos por Scott Trindle. Styling por Julia Brenard.

por Olivia Marks

Como os leitores regulares desta ou de qualquer revista sabem, as entrevistas com celebridades tendem a ocorrer em um dos vários cenários: cantos privativos e com iluminação favorável de restaurantes glamorosos, cafés de bairro menos conhecidos, suítes de hotel anônimas, mas luxuosas. Igrejas? Nem tanto. Mas, devido a uma reviravolta nos acontecimentos (muito tedioso para contar aqui), é em uma capela moderna e fria em uma igreja do norte de Londres, sentados em cadeiras de madeira grandes com pesadas Bíblias com capa de couro enfiadas embaixo delas, que Caitríona Balfe e Jamie Dornan encontram-se para a entrevista com a Vogue.

Inevitavelmente, a conversa se volta muito rapidamente para a religião. “Simplesmente, não é para mim“, diz Dornan, de 39 anos, com aqueles tons profundos e indiferentes de Belfast instantaneamente reconhecíveis. Ele está recostado na cadeira, um saquinho de chá no copo para viagem em sua mão. “Tudo o que você sente que precisa, o que quer que te ajude“, continua ele. “Eu nunca senti que precisava da religião para me dizer para tratar bem as pessoas.

Eu vejo o valor em termos de comunidade“, intervém Balfe, de 42 anos, filha de uma mãe católica e conselheira matrimonial, em seu sotaque irlandês suave e lírico. “Mas é o tipo organizado de hipocrisia disso tudo que me pega…

É um lugar um tanto intenso, embora não totalmente inadequado, para discutir o próximo projeto dos atores, Belfast, o filme semiautobiográfico de Kenneth Branagh sobre sua infância na capital da Irlanda do Norte no início dos Conflitos, em agosto de 1969. Balfe e Dornan interpretam Ma e Pa, os pais de Buddy, de nove anos (baseado em Branagh), que, à medida que a violência chega a rua deles, explodindo sua comunidade unida de vizinhos protestantes e católicos, são confrontados com uma decisão agonizante: eles deixam tudo o que conhecem e se mudam para a Inglaterra? Ou eles ficam e se arriscam?

Filmado em preto e branco ricamente atmosférico (uma homenagem a Henri Cartier-Bresson, diz Branagh), este é um filme profundamente evocativo, que colocou todos os envolvidos (Branagh, Dornan, Balfe, ao lado de Ciarán Hinds e Judi Dench, e o fascinante recém-chegado Jude Hill) em evidência em todas as conversas sobre premiações.

Se você nasceu e foi criado lá, sabe muito bem que é de um lugar muito complicado“, diz Dornan sobre sua experiência crescendo em Belfast nos anos 1980 e 1990. Criado em uma família protestante de classe média alta (seu pai, obstetra e pioneiro médico Jim Dornan, morreu de Covid-19 no ano passado), ele tem o cuidado de apontar que sua existência foi privilegiada, longe das áreas predominantemente da classe trabalhadora da cidade que se tornou campo de batalha. Sua escola era 50 % protestante e 50 % católica. (E que mesmo agora, apenas sete por cento das escolas na Irlanda do Norte sejam integradas é, diz Dornan, “insano“.) No entanto, “Desde o dia em que nasci, até o dia em que parti, as pessoas estavam praticamente lutando uma guerra civil.

Balfe, enquanto isso, morava na República da Irlanda, uma de sete filhos, bem na fronteira em Monaghan. Era, ela diz, “uma área muito inclinada ao IRA. Mas meu pai era sargento da polícia – é por isso que estávamos lá – então fomos criados muito apolíticos.

Para ambos, a ideia de “lados”, de divisão, não estava muito no dia-a-dia. Pelo menos, eles não estavam cientes disso, como as crianças muitas vezes não estão. “Sempre penso em coisas que se tornaram normais, mas que não eram normais“, diz Dornan. “Como tentar encontrar seus amigos nas tardes de sábado na cidade e houve um susto de bomba.

Lembro que costumávamos fazer compras semanais no norte“, acrescenta Balfe, “e você passava pelos postos de controle pelo menos uma vez por semana. Nós nem pensamos nisso até que nossos primos vieram do sul e eles ficaram aterrorizados ao passar, porque havia soldados britânicos com metralhadoras apontadas para o carro pedindo seus documentos.

Me pergunto se interpretar Ma e Pa permitiu uma nova perspectiva, para eles verem de novo, através dos olhos de seus personagens adultos, suas próprias infâncias e aquele período da história da Irlanda, principalmente porque ambos agora são pais. Dornan e sua esposa, Amelia Warner, têm três filhas: elas são o protetor de tela do telefone dele, que ele me mostrou, espontaneamente, no início do dia, absolutamente apaixonado. Balfe recentemente se tornou mãe pela primeira vez, seu filho de 10 semanas foi o motivo pelo qual ela teve que passar 30 minutos com uma bombinha para tirar leite na traseira de uma van entre as fotos para esta sessão. (Não dá para saber: sua pele impecável e cabelo castanho brilhante não dão sinais de privação de sono.)

Agora, eu tenho filhos“, diz Dornan, depois faz uma pausa. Ele olha para o lado. É clara a cena que ele está representando em sua mente. “Porra“, ele continua. “A ideia de elas checarem embaixo de seus carros por bombas em suas garagens… Isso era normal. Você não pode nem imaginar isso agora.

Muitos filmes documentaram e dramatizaram os Conflitos, mas a maioria tendeu a focar na violência, nas ideologias. Em Belfast, Branagh oferece outra visão, uma que destaca uma comunidade que sofreu violência.

Sim, o filme retrata intimidação e bombardeios, brigas e medo, mas também há festas de rua e cantos, uma história de amor jovem, os altos e baixos diários de um casamento. Mostra a vida acontecendo. “No início do conflito, eu mal saberia que era assim, que na verdade, apesar das barricadas, havia dança na rua“, admite Dornan. “Não foi puro terror desde o início. Ainda havia esperança. Acho muito importante ver isso.

Branagh começou a escrever o filme durante o primeiro lockdown; no verão de 2020, eles estavam em produção. “Um amigo perguntou quanto tempo levei para escrever o roteiro“, escreve Branagh por e-mail. “Eu disse, ‘Três meses’. Ele disse, ‘Sim, três meses e 50 anos.’” Sobre suas estrelas, ele diz: “Eles captaram a intensidade e o chiado do relacionamento, o desejo pela vida. Eles se jogaram na dança, o que gerou tanta energia elétrica. Eles brincavam um com o outro sobre suas chamadas limitações e cuidavam um do outro.

A provocação está em plena exibição hoje. “Você não sabia sobre a carreira musical dele?” Balfe pergunta, fingindo inocência, quando eu investigo sobre a cantoria de Dornan em Belfast, e seu número de música e dança na recente comédia cult Duas Tias Loucas de Férias. Balfe está se referindo ao pedaço em que Dornan é o líder de uma banda. “Eu não posso te dizer o quão difícil é excluir coisas da internet“, ele murmura. (Sobre seus talentos musicais, ele é modesto: “Eu sempre digo que sei cantar tanto quanto o ator idiota mais próximo sabe.”)

Dado o quão bem os dois se dão, é surpreendente que eles tenham se conhecido apenas alguns anos atrás, e especialmente quando você considera que eles, de muitas maneiras, levaram vidas paralelas: uma idade semelhante, ambos da Irlanda, cada um teve carreiras de sucesso como modelos antes de passar para a atuação. No início dos anos 2000, Balfe foi uma craque nas passarelas, fazendo aparições para Chanel, Givenchy e Louis Vuitton. Por um período naquela mesma década, Dornan foi referido como o “Golden Torso” (Torso de Ouro), famosamente posando sem camisa com Kate Moss para a Calvin Klein Jeans. Como é que seus caminhos não se cruzaram? “Veja“, diz Balfe, “eu não conseguia tirar uma foto e Jamie não conseguia andar.

Lembro-me de ouvir que havia uma modelo de Monaghan“, responde Dornan. “Eu fiquei tipo, ‘Até aprece…’

Desde 2014, Balfe está sediada em grande parte na Escócia, onde filmou seis, quase sete, temporadas do drama histórico Outlander, estrelado por ela. Dornan, ela diz, “anda por círculos muito mais sofisticados” do que ela. É verdade que ele teve, até hoje, a carreira mais hollywoodiana dos dois. Depois de provar suas habilidades de atuação interpretando um serial killer em The Fall, ao lado de Gillian Anderson, Dornan ficou conhecido mundialmente como o bem-definido e taciturno Christian Grey na trilogia Cinquenta Tons de Cinza. Interpretar o fotógrafo de guerra Paul Conroy, assim como sua última participação no suspense da BBC deste mês, The Tourist, ajudou a afastar sua carreira do legado de Grey. E agora, potencialmente, o Oscar o chama. Claro, nenhum deles se aproveitará disso.

Antes disso, porém, eles precisam enfrentar críticas ainda mais duras: a torcida da casa. Uma semana depois de nos encontrarmos, eles levarão o filme para Belfast. Eu pergunto a Dornan como ele acha que vai ser? “Brutal“, vem sua resposta.

Há uma geração jovem que está surgindo, que não viveu os Conflitos, e há novamente esse tipo de romantismo em ter uma causa e lutar por uma causa“, diz Balfe, referindo-se aos casos perturbadores de violência que recentemente ressurgiu na Irlanda do Norte. “Talvez seja pedir demais que um filme mude a mente das pessoas, mas acho importante que as pessoas o vejam.” Dornan concorda: “Qualquer coisa que possa provar que não há vencedores no final de tudo isso é bom para que a próxima geração veja.

Algumas semanas depois, Branagh enviou e-mails sobre a exibição em sua cidade natal. Havia, ele escreve, “atenção elétrica, risos e lágrimas e, para meu profundo deleite, um sentimento de orgulho nesta bela e ferida cidade de maravilhas.

Belfast estará nos cinemas do Reino Unido em 21 de janeiro.

Cabelo: Anna Cofone.
Maquiagem: Jenny Coombs.
Preparação: Joe Mills.
Unhas: Robbie Tomkins.
Produção: North Six.
Arte digital: IMGN Studio.
As regras de distanciamento social foram seguidas ao longo desta sessão de fotos.

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