The Model Alliance: Caitriona Balfe e as dificuldades de ser modelo freelance

  • 09 de abril de 2019

€240.000 de salário perdido na Itália e um ano a ser pago em LA

 

Caitriona BalfeTrabalhando como modelo, houve inúmeras ocasiões em que tive dificuldade em receber o dinheiro que me deviam.

Enquanto trabalhava com a agência italiana Paolo Tomei, em 2002 e 2003, talvez eu tive a temporada de maior sucesso da minha carreira. Eu estava andando na passarela de muitas das principais casas de moda italiana, com uma média de 26 desfiles por temporada. Foi nesse período que acumulei ganhos de mais de € 240.000.

Eu ainda não havida recebido nenhum pagamento, quando soube que a agência havia declarado falência e que os financiadores por trás dela haviam supostamente desviado o dinheiros de suas modelos para contas bancárias privadas em Luxemburgo e na Suíça. Pouco depois da falência, o dono da agência, Paolo Tomei, se mudou para outra. Ele continuou a trabalhar na indústria por anos.

“Fui informada de que qualquer ação judicial seria extremamente improvável de chegar ao tribunal.”

Eu consultei um advogado e tentei recuperar meu dinheiro, mas meus esforços foram prejudicados pela minha classificação de modelo sob a lei italiana. Como nos EUA, os modelos na Itália são autônomos e, tecnicamente, contratam a agência para trabalhar em nome deles. Mas, aparentemente, para provar o que me era devido, eu teria que ligar para todos os clientes para quem eu trabalhei – Miuccia Prada, Domenico Dolce, Stefano Gabbana, Angela Missoni, e assim por diante – para testemunhar no tribunal que eles tinham me contratado pelo meu tempo. Fui aconselhada tanto pelo meu advogado quanto pelo agente de que isso não seria do meu interesse, se quisesse continuar a trabalhar como modelo e que, independentemente disso, qualquer ação judicial era extremamente improvável de chegar ao tribunal. Não fui a única modelo a perder dinheiro com o fechamento desta agência e não sofri a maior perda. Algumas garotas perderam mais de € 400.000. Até onde sei, nenhum dinheiro foi recuperado.

Anos depois, trabalhando como modelo nos EUA, eu me encontraria em uma situação semelhante. Eu me mudei para a Califórnia em 2009 e trabalhei regularmente para a empresa de roupas BCBG. Eu fotografava para o catálogo deles e trabalhava várias vezes por mês para eles. Os trabalhos eram sempre agendados através da minha agência em Nova York. Foi uma época, como todos sabemos, em que a economia estava severamente em depressão e eu estava feliz por ter um trabalho estável, especialmente em uma nova cidade. Eu tinha trabalhado para a marca muitas vezes antes e tinha muito respeito e admiração pelos proprietários. Mas, depois de vários meses sendo paga prontamente pelo meu trabalho, as coisas começaram a mudar. Os cheques da BCBG demoraram mais e mais para chegar. Vários meses se passaram e, então, eu não estava sendo paga.

Eu perguntei repetidamente à minha agência sobre o atraso preocupante. Eventualmente, a minha agência me disse que a BCBG estava com dificuldades financeiras, mas que a empresa havia assegurado secretamente à eles que eu e os outros modelos com pagamentos pendentes seriam pagos. Eles só não podiam dizer quando. Apesar dos meses sem pagamento e do risco da perda, a agência ainda estava agendando comigo e com outros modelos para trabalhar para a BCBG. À medida que mais e mais tempo passava sem pagamento, eu fiz algo que os modelos são instruídos a nunca fazer: recusei-me a trabalhar para eles até receber todo o dinheiro que eles me deviam.

Aquela quantia, muitos milhares de dólares, dificilmente chegaria. Depois de vários questionamentos e mais da metade de um ano passado desde que a BCBG deixou de pagar a mim e a outros modelos pelo nosso trabalho, eu finalmente recebi um e-mail do departamento de contabilidade da minha agência me notificando de que o cliente começaria a fazer pagamentos parciais da quantia devida. “Nós já te pagamos primeiro, em vez de dividir a quantia entre os outros modelos“, repreendeu o contador. “Devemos compartilhar parte do dinheiro com os outros.

Depois que eu finalmente recuperei toda a quantias devida, fiquei com a sensação de que minha agência tinha cuidado dos interesses do cliente muito mais do que daqueles de “nós, meninas” quem eles deveriam representar.

Este post é parte de uma série que destaca as dificuldades que os freelancers da indústria da moda, incluindo os modelos, podem ter com o pagamento pelo seu trabalho. A Model Alliance apóia a Lei de Proteção ao Pagamento do Freelancer (FPPA), que ajudaria a proteger freelancers de clientes indolentes e a roubo de salário. Para mais informações sobre esta série, o FPPA e como se envolver, leia a introdução da fundadora da Model Alliance, Sara Ziff.