The Times: Caitriona Balfe fala como chegou a estrelar ‘Ford v Ferrari’

  • 19 de novembro de 2019

Caitriona Balfe, a estrela de Outlander, fala como  deixou a carreira de modelo e chegou a estrelar Ford v Ferrari

A atriz irlandesa se mantem firme com Matt Damon e Christian Bale em uma cinebiografia do automobilismo de Hollywood

Em Hollywood, há cenas fáceis e cenas difíceis. As fáceis implicam em boas falas, atores despretensiosos como colegas de elenco e você tem tempo de cena. E, então, há as cenas de Caitriona Balfe, a cercade  dois terços do filme biográfico de automobilismo, Ford v Ferrari, em que o vencedor do Oscar, Christian Bale, e um dos astros mais lucrativos de Hollywood, Matt Damon, estão brigando em frente à casa de Bale. Balfe tem que sair, pegar uma cadeira, abrir uma Coca-Cola e assistir.

Juntos, Damon e Bale valem 194 milhões de libras, de acordo com o site Celebrity Net Worth. O primeiro interpreta o independente projetista americano Carroll Shelby, o segundo, seu melhor amigo Ken Miles, um piloto de corrida britânico que é tão obstinado que faz os independentes parecerem conformistas obedientes. A Ford apostou tudo para vencer a Le Mans contra a Ferrari e essa luta decidirá o filme. Bale e Damon dão tudo em atuações espetaculares. No entanto, o humor irônico de Balfe e a atuação delicada praticamente roubam a cena.

Alguns anos atrás, eu estaria naquela cena como decoração, revirando os olhos para os meninos,” diz ela com um sorriso, quando nos encontramos para discutir o filme, em um hotel em Londres. Ela é uma ex-modelo e sua altura e graça combinam com a passarela – embora ela esteja vestida com um vestido largo e confortável, em vez de saltos altos e um espartilho.

O roteiro de Jez e John-Henry Butterworth já dá a Balfe, que interpreta a esposa de Ken, Mollie Miles, muito mais a fazer do que revirar os olhos. Mas ela ainda aproveitou a oportunidade para passar um tempo com o filho de Ken e Mollie, Peter, assistir a documentários antigos da Le Mans com entrevistas com as esposas dos motoristas e descobrir um artigo que Mollie escreveu para uma revista de carros sobre o primeiro encontro do casal. Balfe usou sua pesquisa para concretizar uma mulher alegre e plausível.

O artigo é hilário, ela tinha 16 anos, ele apareceu em um carro a manivela dos anos 1920, eles se perderam e o carro quebrou,” ela ri. “Ela apenas o apreciava e o entendia. Obviamente, este é um filme sobre corridas de automóveis na década de 1960, então será um mundo dominado por homens, mas era importante vermos um relacionamento equilibrado. Eu tive a oportunidade de imprimi-la com o máximo de vida e a complexidade que eu quisesse e dar um equilíbrio muito bom aos carros velozes, rapazes e garotas.

Para muitos no Reino Unido, esta pode ser a primeira vez assistindo a atriz irlandesa de 40 anos no cinema. Ela teve papéis em Jogo do Dinheiro, Rota de Fuga e Super 8 – “Eu era uma mãe morta,” ela diz. “Eu vi esse filme,” eu começo “mas eu não…” “Você não percebeu quem era aquela mãe morta incrível? Estou chocada.” Seu papel como Claire, em Outlander, que revelou a sua carreira e lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro é provavelmente o mais conhecido. A adaptação americana dos romances de Diana Gabaldon sobre uma enfermeira da Segunda Guerra Mundial transportada no tempo para as ascensões jacobitas de meados do século XVIII era exclusiva da Amazon Prime Video até que o canal More 4 a comprou, em 2017.

Somos rodeados na América, mas filmamos na Escócia e as pessoas não notaram até o More 4,” ela diz com um sorriso. “Podíamos passear despercebidos por Glasgow. Agora você está no supermercado, as pessoas aparecem e eu penso: ‘Não deveria ter saído de pijama’.

Por um momento, é difícil imaginar que o pijama de Balfe seja nada menos que alta costura, mas acontece que ela é tão ousada, divertida e determinada quanto as personagens que interpreta. Nascida em Dublin, ela cresceu em uma cidadezinha chamada Tydavnet, em County Monaghan, depois que seu pai, um sargento de garda, foi locado lá. Tydavnet tinha um correio, uma loja que também era um pub, outro pub e uma igreja. “Tudo o que você precisa,” ela sorri.

Embora o pai dela fosse o policial local, ele também estava em uma trupe de comédia amadora, “Um policial, dois diretores, um fazendeiro e um lojista que escreviam e apresentavam quadros de comédias e ganhavam competições em todo o país.” Ela faz uma pausa. “Pensando nisso agora, provavelmente há um filme aí.

Desde que Balfe se lembra, ela tentava entreter as pessoas. “É muito vergonhoso, mas eu costumava falar comigo mesma com sotaques diferentes e eu imitava a Margaret Thatcher, o que é estranho para uma jovem garotinha irlandesa.” A sua esperada rota para a atuação através do Conservatório de Música e Drama de Dublin* estava em andamento, quando, aos 17 anos e no final de seu primeiro ano, foi encontrada por uma agência de modelos e levada ao continente para desfiles de moda. “Meus pais não ficaram muito satisfeitos no começo.

A carreira de modelo deu a ela muitas coisas, inclusive viagens e dinheiro. “Mas não acho que seja o local de trabalho mais saudável, a confiança das modelos fica no banheiro,” ela diz calmamente. No entanto, Balfe não era uma moça magrela e vulnerável: ela entrou em greve para garantir o dinheiro que lhe era devido e lançou, com Sarah Ziff, a Model Alliance** – uma organização que luta contra comportamentos impróprios financeiramente e sexualmente.

Em 2007, ela estava morando em Nova York, sendo informada de que 27 estava além do requisitado e o purgatório dos catálogos de moda a aguardava. “Fazer catálogos no meio do Texas não era a vida que eu imaginava,” ela diz. Amortizada por seu dinheiro de modelo, ela se mudou para Los Angeles e começou as aulas de teatro. “Eu não fazia ideia de como iniciar,” ela dá de ombros. “Eu li um artigo da Amy Adams no qual ela falava sobre seu instrutor de teatro, cujos escritórios ficavam a uma curta distância de onde eu morava. Eu não estava dirigindo na época, então foi para lá que eu fui.

O agente dela de Londres a mandou para Outlander, enquanto o passaporte dela estava preso no consulado indiano, antes de uma viagem com o produtor musical Tony McGill*** (agora marido dela). Eles queriam que ela voasse através do oceano e ela passou dias gritando ao telefone com “uma pobre pessoa no consulado de São Francisco que não gosta nem um pouco de mim.

Mas ela conseguiu e eles a escolheram; ela foi aplaudida pelos fãs do livro em uma convenção e agora ela é uma estrela de cinema bem casada. Tudo o que falta é a chance de trabalhar na Irlanda. “Eu adoraria,” ela assente. “Mas eu meio que gosto de começar na América e depois voltar para Dublin. É como virar a história da Irlanda de cabeça para baixo.

Ford v Ferrari está nos cinemas desde a última quinta-feira (14).

* Caitriona Balfe estava, na verdade, estudando no Instituto de Tecnologia de Dublin (DIT).

** A Model Alliance foi fundada somente por Sara Ziff, Caitirona Balfe é apenas uma das apoiadoras da fundação.

*** A viagem seria com alguns amigos.