The Wall Street Journal: a atriz Caitríona Balfe de ‘Belfast’ foi descoberta em um supermercado

  • 17 de novembro de 2021

Em um texto encantador, Caitríona Balfe conta mais sobre sua infância próxima à fronteira, durante os Conflitos na Irlanda no Norte.

A estrela cresceu como uma forasteira em uma cidadezinha irlandesa durante os Conflitos, ansiando por sair e ver o mundo

Caitríona Balfe, de 42 anos, é uma atriz irlandesa que co-estrelou os filmes Ford v Ferrari e Jogo do Dinheiro e a série de TV Outlander, da Starz. Atualmente, ela está em Belfast. Ela falou com Marc Myers.

Éramos considerados recém-chegados. Embora minha família tivesse se mudado apenas duas horas para o norte de Dublin quando eu era uma criança pequena, a maioria das pessoas que moravam em Tydavnet tinha raízes lá que datavam de gerações anteriores.

Tínhamos nos mudado na década de 1980, porque meu pai era um sargento da polícia que foi transferido para lá. Era o auge dos Conflitos na Irlanda do Norte e a cidadezinha ficava perto da fronteira.

Caitríona Balfe, em casa em Tydavnet, Irlanda, in 1991. Foto: Família Balfe.

Uma das minhas primeiras lembranças foi a da esposa de alguém que meu pai prendeu ou parou vir à nossa porta e dizer à minha mãe que deveríamos voltar para o lugar de onde viemos. Desde cedo me senti uma estranha.

Tydavnet é rural e espalhada, então havia muitos campos e bosques. Quando eu morava lá, quando criança, havia uma igreja, uma escola, dois bares e um pequeno correio. Não mudou muito.

Moramos primeiro em uma pequena cabana e depois construímos nossa própria casa: uma casa de dois andares, de tijolos vermelhos que era muito bonita, com um lindo jardim que meus pais cuidavam.

Eu sou a quarta de cinco filhos. Quando eu tinha sete anos e meu irmão mais novo quatro, meus pais decidiram criar mais dois filhos, então éramos sete. Era uma casa barulhenta e nos divertimos muito. Todos nós nos demos bem.

Eu provavelmente era a mais agitada emocionalmente do grupo. A maioria dos meus irmãos são bastante voltada para a ciência ou têm uma personalidade um pouco mais moderada.

Eu gostava de drama e tinha uma curiosidade incansável sobre o mundo exterior. Eu sabia desde cedo que iria embora assim que pudesse. Enquanto isso, minhas qualidades observacionais desenvolveram-se cedo.

Meu pai, James, costumava ficar ocupado com seus oficiais, patrulhando a fronteira, que era barulhenta. Minha mãe, Anne, assumiu a maior parte da criação dos filhos.

Quando crianças, andávamos de bicicleta e íamos pescar ou construímos casas na árvore com diferentes andares. Tornei-me muito boa nisso. Passamos muito tempo nas casas da árvore, fumando cigarros roubados.

Meu pai envolveu eu e meus irmãos em muitas atividades culturais locais, incluindo uma banda marcial, desde os 6 anos de idade. Eu também fazia parte de um grupo de teatro.

Na escola primária, eu não era uma criança popular e não me achava muito bonita. Tivemos um grande problema de bullying em nossa escola e nada foi feito a respeito.

A posição do meu pai na cidade não ajudou. Na verdade, essa era parte da razão para o bullyng. A polícia não era necessariamente respeitada ou querida.

No colégio, apareci em peças de teatro e conheci pessoas que pensavam mais como eu. Após a formatura, frequentei o Instituto de Tecnologia de Dublin (Dublin Institute of Technology) para estudar atuação.

Certo dia, saindo com amigos em um supermercado para arrecadar dinheiro para a esclerose múltipla, fui abordada por um homem que me deu seu cartão. Ele era de uma agência de modelos em Dublin.

Eu fiquei envergonhada. As garotas do caixa estavam observando e falando. Uma delas começou a gritar para todas as amigas nos outros caixas: “Uma mulher acabou de ser convidada para ser modelo!”

Para garantir que tudo estava correto, minha irmã mais velha, Deirdre, veio comigo ao escritório. Logo depois que eu assinei, uma agência francesa me contratou como modelo em Paris.

Eu fui atraída para o mundo das passarelas imediatamente. Foi minha passagem para ver o mundo. Minha família não era rica e nunca saiu de férias no exterior ou algo assim.

Paris abriu meus olhos para muitas coisas culturais e estéticas. Isso me deu esse senso de história e beleza e me deu uma dica do que poderia estar no resto do mundo.

Embora modelar fosse a antítese de atuar, isso me ajudou a me ajustar a ser rejeitada e não levar isso para o lado pessoal. Após 10 anos, me mudei para Nova York e fiz aulas de atuação.

Meu primeiro filme americano foi Super 8, em 2011, dirigido por J.J. Abrams. Embora não fosse um papel com falas, foi a confirmação de que eu não estava iludida, que atuar era o caminho certo para mim. Seguiu-se uma série de pequenos papéis.

Então veio meu papel de co-estrela, como Claire Fraser, na série Outlander, que foi transmitida nos Estados Unidos. Foi o meu verdadeiro lançamento.

Hoje, meu marido, Tony, eu e nosso filho somos um pouco nômades. Dividimos nosso tempo entre Glasgow e Londres. Quando estou trabalhando em Outlander, estamos em Glasgow.

Em Glasgow, vivemos em um lindo apartamento com terraço eduardiano com tetos altos e molduras.

Há algo de belo em edifícios históricos. Em casa, na Escócia, muitas vezes me pergunto sobre a vida de pessoas que viveram lá antes de nós.

Balfe em Belfast

Sobre o que é Belfast? O filme é centrado em um menino, Buddy, crescendo em Belfast, Irlanda do Norte, durante os Conflitos do final dos anos 60.

Seu papel? Eu interpreto a jovem mãe de Buddy.

O que você aprendeu com Judi Dench? Que humor é vital. Ela tem o senso de humor mais delicioso e perverso. Além de ser absolutamente brilhante, ela tem um espírito jovem e bonito.

A melhor parte de trabalhar com o diretor Kenneth Branagh? Ver o quanto esse projeto significava para ele e quanto amor havia naquele set.